Das Coisas Que Me Fogem ao Controle.
Me foi pedido o n�mero do telefone. Quem me ligaria seria a dona de uma voz j� conhecida, mas que h� muito n�o ouvia. O telefone tocou e, antes que vibrasse pela segunda vez, saquei-o. L� estava eu, do alto dos meus vintesseis, perdendo totalmente o controle, de novo.
Ser� que existe algo mais emocional do que optar por ser racional, por medo de errar novamente? E o que � mais racional do que permitir que essa emo��o guie cada um dos nossos passos? �s vezes s�o t�o altas as vozes de fora, que a gente acaba n�o ouvindo o peito gritando. O meu peito � que gritou alto demais, calando as vozes de fora. Epifania. Compreens�o s�bita. Era como se estivesse tua imagem estampada em tudo que vejo. E aquela presen�a permanente no meu pensamento me fez percorrer a extenuante e perigosa trilha que me leva de encontro a ti.
Ser� que existe burrice maior do que saber todas as respostas? E sabedoria maior que a sabedoria de se deixar enganar? A gente pensa que, com o passar do tempo, aprendemos a pular as rasteiras que nos s�o passadas. Digo, por experi�ncia pr�pria, que existem tombos que eu adoraria tomar de novo. Me via novamente ansioso. T�o ansioso que passei a olhar pros lados, sempre achando ser a tua voz qualquer ru�do que me atingisse os t�mpanos. As vezes em que acertei s�o minoria, mas eu aprendi demais, justamente por errar demais.
Os minutos que a gente tem juntos viram dias e semanas em c�mera lenta, dentro da minha cabe�a, toda vez que o elevador desce contigo dentro. Meu cora��o est� vazio, sem mob�lia. Mas tudo que eu preciso agora � de espa�o pra te construir dentro do meu peito, com as poucas pe�as que tenho em m�os.
Com quem estou ao telefone? Com a saudade, que h� muito n�o vejo. Ela est� chegando, e n�o parece ter planos de ir embora t�o cedo. Eu aguento. Basta que feche os meus olhos e d� play numas poucas horas de filme, e uma m�sera foto sem resolu��o no meu celular. C� estou eu, do alto do meu sexto andar, perdendo o controle, de novo.
Tudo acontecia devagar. Tudo que ela fazia parecia, aos meus olhos, acontecer em c�mera lenta. Como se fiz�ssemos amor debaixo d��gua.
Nada mudou: continua tudo mudando a todo minuto.
Lucas Figueiredo.