Quando alguém diz que mulher vota mal, o problema não é o nosso voto, é o medo do nosso poder. Nos últimos dias, um brasileiro investigado que hoje vive lá nos Estados Unidos, afirmou que mulheres votam mal. Ele disse inclusive que mulheres casadas precisam acompanhar o voto do marido. Ou seja, na cabeça de muita gente, a mulher só vota bem quando ela vota pela cabeça de um homem. E isso, gente, não é frase solta não, tá? Não é só provocação de internet, não é exagero nosso, é um sinal. Lá nos Estados Unidos, o atual chefe do Pentágono repostou um vídeo que defendia revogar a décima nona emenda, justamente a emenda que garantiu o voto feminino naquele país. Então quando esse tipo de ideia começa a circular com naturalidade, a gente precisa prestar atenção, porque primeiro dizem que mulher vota mal, depois dizem que mulher precisa ser orientada, depois dizem que a mulher deveria voltar para o lugar dela. Só que esse lugar não existe mais. No Brasil, nós conquistamos o direito ao voto lá em 1932 e não foi favor, foi muita luta. E hoje nós somos mais de oitenta e duas milhões de eleitoras, quase cinquenta e três por cento do eleitorado brasileiro. Gente, nós somos maioria. E talvez seja exatamente por isso que assuste tanto, porque mulher que pensa, escolhe. Mulher que pesquisa, decide. Mulher que entende o próprio poder, muda o rumo de uma eleição. E o problema nunca foi mulher votar mal. O medo é mulher votar livre. Por isso, em ano eleitoral, a nossa resposta não pode ser só indignação. A resposta precisa ser consciência. Pesquise, leia, compare propostas, escute mulheres, leia mulher-- mulheres, apoie mulheres, conheça mulheres que ocupam a política e olhe com muita atenção pra quem quer ampliar os nossos direitos e pra quem começa tentando diminuir a nossa voz. Porque o nosso voto não pertence ao marido, o nosso voto não pertence ao pai, não pertence ao padre, não pertence ao pastor, não pertence a partido nenhum. O nosso voto pertence à nossa consciência. E uma mulher livre, quando descobre o tamanho da própria voz, nunca mais aceita voltar pra caixa.
— .(Escrito dia 10/07/2026, às 18:21)


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