Em que momento a gente começou a achar elegante não se impressionar com nada? Sério? Que coisa cafona ser blasé, vai? A pessoa não se espanta, não se entusiasma, não pergunta, já conhece tudo, já entendeu todo mundo, nada é tão interessante assim, mas, a criança é o exato oposto disso. A criança está diante de um mundo novo, quer saber por que o céu muda de cor, por que os adultos se casam, por que alguém está chorando. O que acontece se misturar duas coisas nojentas, claramente que não deviam ser misturadas? E é assim que ela aprende. Perguntando, testando, hipóteses, se surpreendendo e descobrindo que, enfim, estava errado, estava certa, isso faz sentido, isso não faz. A gente cresce e vai perdendo um pouco essa disposição. Começa a olhar pro mundo com respostas prontas. Ah, tal pessoa é assim. Isso não é pra mim. Ah, eu já sei como essa história termina. Eu sempre fui desse jeito. Você para de investigar e começa apenas a confirmar aquilo que já pensava. Eu sempre fui muito curiosa, antes mesmo de me tornar escritora já teve bastante gente que não gostava de mim porque me achava enxerida e em minha defesa provavelmente eu era mesmo. Mas essa curiosidade se tornou uma parte essencial do meu trabalho. Cada lugar que conheço é um mundo novo. Não importa quantas pessoas eu já tenha conhecido ou escutado, eu nunca escutei aquela pessoa diante de mim. Nos humanos precisamos conservar essa curiosidade infantil. Não partir de um princípio que já sabe o que uma história significa, mas entende e compreender aquela estrutura. Não, precisamos perguntar, estranhar, se deixar surpreender. E isso serva pra todas as áreas da nossa vida. Continuar curiosa é não transformar a própria vida em uma história encerrada. É olhar pra uma pessoa, pra uma ideia e pra si mesma sem decidir rápido demais que já entendeu tudo. O dia que você se olhar pra dentro, e achar que sabe tudo sobre si, e entender completamente quem está na frente do seu reflexo no espelho, com toda certeza você parou de se escutar. Nos humanos somos movimento e transformação, e cada dia se nasce um desejo e versões de nós mesmas. Mutações humanas são incríveis!
— .(Escrito dia 17/08/2026, às 15:01)


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