Reconhecer a própria insignificância é uma das formas mais profundas de liberdade. Eu confesso que por muito tempo eu entendi a palavra insignificância como uma ofensa, até como se reconhecer a própria pequenez fosse admitir que a vida não tem valor. Mas hoje eu não vejo mais como falta de valor, mas sim como nós somos um acontecimento breve dentro de um mundo imenso, que já existia antes de nós e continuará existindo depois. Nós somos finitos, atravessados pelo tempo, e incapazes de controlar completamente até aquilo que amamos. A impermanência nos assusta porque ela fere uma fantasia muito humana, a de que podemos impedir as coisas de mudar, preservar versões de nós mesmas e ocupar um lugar permanente na vida dos outros. Então quando o ego acredita que precisa ser importante o tempo todo, tudo se transforma em questão pessoal. Toda crítica exige defesa. Toda disputa precisa terminar em vitória. E isso definitivamente não é indiferença. É discernimento. Reconhecer que nós somos pequenos não esvazia a existência, mas retira dela o peso de precisar ser grandioso. O mundo não gira ao nosso redor. E pra mim existe um alívio imenso nisso.
— .(Escrito dia 11/08/2026, às 19:42)


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